Para professor e gestor de projetos institucionais, a educação representa a única forma de um país progredir

Para celebrar o Dia do Professor, o SF Notícias conversou com o docente Fernando Novais da Silva, que já foi gestor da CENSUPEG São Fidélis

Eles têm a importante missão de levar conhecimento, desde os alunos mais novos aos mais velhos. Nesta sexta-feira (15), data em que se celebra no Brasil o Dia do Professor, o SF Notícias conta um pouco da história do professor Fernando Novais da Silva, que já foi gestor na faculdade CENSUPEG São Fidélis. O docente também destacou a importância da educação e da necessidade de valorização desta área. “Sempre gostei de entender as coisas, pois sempre fui muito curioso, nunca me contentei com a primeira resposta. Sempre busquei outras opiniões e referências quando eu não concordava com algo. E essa curiosidade sempre me movimentou para a pesquisa de entendimentos mais completos das coisas. A princípio com a linguagem, era muito bom em Língua portuguesa, gostava de escrever textos e mais textos para a professora corrigir e eu ver onde eu estava errando. Escrevia poesias, sonetos, buscando novas formas de escrever as mesmas frases usando palavras diferentes. Coloco isso na conta da curiosidade pois esse interesse verdadeiro pelas coisas, me ensinou ser um aprendedor, muito antes de ser um professor” – afirma.

Como era bom em Língua Portuguesa, Fernando recorda que sempre se atrevia a fazer as apresentações de trabalhos, o que para ele, o impulsionou para desenvolver sua iniciativa para tudo que envolvesse a fala, discurso ou apresentação. “Na maioria das escolas que eu estudei sempre estive entre os líderes de sala, ou era o líder ou o vice-líder e isso me dava a liberdade de transitar na parte administrativa da sala, sempre representando os alunos, na maioria das vezes para questionar algo que todos tinham vergonha ou medo de questionar” – recorda. O docente fez um curso Técnico em Mecânica de precisão, cursou Administração, pós-graduação em Gestão estratégica de Recursos Humanos, e ao longo dessas formações, se apresentou em eventos acadêmicos. “Após trabalhar com Gestão de Pessoas na íntegra como líder de uma equipe, foi onde mais aprendi, pois não bastava ter boa oratória, era preciso ter empatia, saber ouvir, saber conduzir pessoas para um entendimento em comum, assim como entender as nuances de cada pessoa para extrair delas o que elas tinham de melhor para oferecer” – frisou.

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Quando surgiu o desafio de ser professor, Fernando conta que se preparou muito, pois para ele o professor não é um mero falador, ele precisa saber o que está falando, precisa ter fontes de diversos autores para trazer perspectivas diferentes de um mesmo assunto. “Precisa acima de tudo se preocupar com as pessoas, com o impacto do conhecimento que está sendo trazido e compartilhado. E penso que precisa saber aplicá-lo. A prática em sala de aula é necessária, portanto, o professor precisa ir além da transmissão da informação, ele precisa aplicar, ensinar como se aplica, com ferramentas que existem e ser capaz de criar ferramentas e formatos que façam sentido para o aluno. O professor é um artista, ele precisa ser curioso, essa curiosidade me fez querer aprender continuamente e criar, sem medo novas formas de aprender e de ensinar. Me fez buscar pedagogias do mundo para não me limitar ao que aprendi na indústria empiricamente. Ainda não sei se já consegui ser o professor inspirador para todos os meus alunos, mas essa é a minha intenção, quando eu me proponho a preparar uma aula, eu gosto de pensar no desenho dessa aula, nos momentos que os alunos vão vivenciar, é uma viagem na minha cabeça, uma jornada que o aluno vai passar ali comigo, me considero até um designer de experiências, pois cada aula é única, ela precisa fazer sentido, precisa ter atividades, provocações e hoje mais do que nunca, não pode acabar na “sala” de aula, precisa ter elementos que extrapolam a sala de aula, permitindo que o aluno mais curioso possa  continuar a sua pesquisa em outros momentos sem o professor. Falo do meu contexto, que é um contexto adulto, voltado para o ensino superior” – destacou.

Importância da educação

Para o docente, a educação representa a única forma de um país progredir, representa o desenvolvimento de uma população consciente, crítica, questionadora, que entende o que está sendo feito pelos órgãos governamentais. “A educação tem o importante papel de formar a personalidade, de mostrar formas diferentes de pensar, de aprender. É a educação que auxilia uma pessoa a interagir, a socializar com outras pessoas, a se expor, a se tornar cidadão. A educação impacta em toda sociedade, ela é a base da nação, independente do formato, ela terá resultados que impactarão no desenvolvimento social, econômico e cultural” – explica.

O professor destaca ainda que auxiliar um cidadão a se tornar cada vez mais questionador, mais atuante na sociedade se faz cada vez mais necessário. “Ser questionador hoje é diferente de antes, pois não é alguém que vai no palco e falar, é muito antes, é receber uma notícia do WhatsApp e questionar a fonte dessa notícia ao invés de falar sobre ela ou encaminhá-la. E voltar em quem enviou e ajudar a pessoa mostrando que não é uma notícia verdadeira e o impacto de compartilhar isso é negativo, vai contra o desenvolvimento de conhecimento íntegro.
Eu tive o prazer de estudar na Finlândia, na Universidade de Ciências Aplicadas de Tampere e lá eles sempre se pautam no que é importante para a sociedade, se baseiam nas competências do fórum econômico mundial por exemplo, mas principalmente nos 4C´s, Comunicação, Criatividade, Pensamento Crítico e solução de problemas complexos” – disse.

Para frisar a importância do professor de orientar, ensinar o aluno (a) a pensar criticamente, Fernando citou uma nota divulgada no fórum econômico mundial, enfatizando que depois de inúmeras pesquisas, o professor é o fator externo mais importante na educação mundial. “O novo ensino médio está, finalmente com uma proposta extremamente desafiadora para os professores e quem “só passa matéria”, dentro de três ou quatro anos estará fora do mercado. No último Congresso Internacional de Educação a Distância que participei, CIAED, ainda antes da pandemia, defendia que o professor que não se atualizasse estaria fora do mercado. O professor precisa conversar com os alunos na linguagem dos alunos. E saber o que o mundo está fazendo para se antecipar aos eventos. Quando estive como professor e gestor na Faculdade São Fidélis em 2014, estávamos fazendo formação de professores com o tema metodologias ativas. Muitos professores não conseguiram fazer e saíram da faculdade e hoje não se fala em outra coisa. Alguns alunos também se recusaram, pois era algo novo, mas hoje está na lista das competências do fórum econômico mundial a competência de aprendizagem ativa, entre as outras 14 competências para ser um profissional do século XXI até 2025” – exemplifica.

Valorização do docente e investimentos na educação

Fernando destaca que sem dúvidas a educação é uma área que deve ser mais valorizada, assim como os professores, e receber mais investimentos. “Ainda falando sobre a minha vivência na Finlândia, o professor lá é tratado com o mesmo respeito e com a mesma responsabilidade de um médico. É uma das carreiras mais disputadas e promissoras do país pois sabem que tem um futuro garantido pela frente, nem se fala sobre salário, pois é inquestionável. Isso se estende a outras nações como Cingapura, Japão e estados unidos. Mas e no Brasil? No Brasil as instituições de ensino privadas tomaram conta da educação superior, pois o governo não tem condições de absorver a quantidade de pessoas que querem estudar. Mas, na minha opinião, o modelo de acesso às universidades públicas deveria mudar, uma vez que é tão complexo e limitado que faz um filtro gigante não permitindo a entrada de mais alunos.
Outro ponto que precisa ser revisto são as formações de professores. Quando estive na Finlândia a diretora disse que só estaria satisfeita quando viessem ao invés de professores brasileiros de ensino superior, professoras de ensino infantil, pois é preciso que haja uma reforma na base, para que quando essas crianças se tornarem adultas, saberem o que fazer, escolher, onde atuar, e se sintam preparadas para tal. Concordo com ela em todos os níveis e considero a pedagogia, uma profissão do futuro, mas com uma roupagem que permita romper com os bloqueios que os fatores burocráticos governamentais atuais impõem” – relata.

Para o professor, o investimento em educação deve ser o item número um de qualquer governo. “Países oriundos de guerras, tem políticas direcionadas à educação como na Índia e Israel que permitem que seja quase impossível não estudar. Pesquiso bastante, olho bastante para fora do Brasil pois acredito que é possível replicar modelos de sucesso de outras nações, mas para isso é preciso vontade de quem segura a caneta e assina o cheque, e essas pessoas estão no governo, assinando cheques para outros investimentos que equivocadamente, consideram mais importantes do que a educação” – declara. Para aqueles que quiserem entrar em contato para conversar sobre educação e gestão o professor disponibiliza suas redes sociais:
Instagram: https://www.instagram.com/fernandotheprofessor_/
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/fernandonovaisdasilva/

Fernando agradeceu a oportunidade e desejou um Feliz Dia dos Professores para os profissionais que exercem essa profissão com a certeza que não sabem e, portanto, praticam a aprendizagem para vida toda.

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