A ação tem como objetivo desarticular a quadrilha de traficantes envolvida na invasão da Cidade Alta, no Rio, com ramificação em Nova Friburgo

Operação da Polícia Civil termina com 16 presos em Nova Friburgo e no Rio

Fotos: leitores SF Notícias

Cerca de 16 pessoas foram presas durante uma operação realizada pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) nesta terça-feira (14/11). A ação tem como objetivo desarticular a quadrilha de traficantes envolvida na invasão da Cidade Alta, no Rio, com ramificação em Nova Friburgo. Segundo informações da Polícia Civil, o grupo investigado se articulou de maneira organizada a fim de invadir e retomar o controle do tráfico na Cidade Alta, cujo domínio territorial foi perdido para a facção TCP (terceiro comando puro).

Rodinei de Menezes Andrade, conhecido como “Baratão”, era o homem de confiança de Carlos Henrique dos Santos Gravini, conhecido como “Rato” ou “Torrá” e, com a prisão deste em 2016, passou a ser o gerente geral do tráfico na Cidade Alta. Em razão da briga pelo poder, “Baratão” se aliou ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, líder do tráfico em Parada de Lucas e Vigário Geral, e debandou para a organização criminosa conhecida como “TCP”, aplicando um golpe, expulsando os traficantes ligados ao Comando Vermelho.

Neste contexto, os traficantes expulsos da Cidade Alta, passaram a manter o domínio nas favelas Cinco Bocas e Pica-Pau, ambas sob o comando de Wesley Henrique dos Anjos Santos, o Wesley, filho do traficante Carlos Henrique dos Santos Gravini, conhecido como “Rato” e, com o apoio da facção CV, passaram a empreender esforços para retomar a localidade.

Traficantes da Cidade Alta, pertencentes ao Comando Vermelho, buscaram refúgio nos Complexos do Alemão e da Penha, locais de onde partiram, ao menos, três tentativas de retomada do controle da referida favela. Tais ações contaram com a ajuda de várias lideranças do tráfico da referida organização criminosa, fato que levou à identificação da ramificação atuante na comunidade do Tuiuti, com conexão na Cidade de Nova Friburgo.

Maquetes desenhadas em programa de modelagem 3D CAD, específico de profissionais das áreas de arquitetura e engenharia, da região da Cidade Alta, foram encomendadas por traficantes do Comando Vermelho, a fim de planejarem, de forma definitiva, a retomada do controle da venda de drogas na região, o que, de fato, foi tentado por algumas vezes, conforme imagens captadas durante a investigação.

As investigações demonstraram, também, que o Comando Vermelho possui uma Caixinha, ou seja, espécie de contribuição patronal do crime, baseada na importância da localidade dominada, de cada núcleo (quadrilha que exerce o domínio em uma comunidade) para financiar os interesses da organização (pagamento dos advogados, pagamento dos líderes, sustento das famílias dos que estão presos, compra de armas que são socializadas entre todos os núcleos).

Núcleo em Nova Friburgo

Pastor passou a ser um dos principais fornecedores de armas e drogas (MATUTO) para as favelas de Nova Friburgo e tinha como contato o elemento Jefferson dos Santos Angelo, conhecido como Laka, o qual foi preso durante as investigações. Após essa prisão, Pastor assumiu a liderança das comunidades de Nova Friburgo e, além de fornecer as drogas para as localidades, passou a ter o domínio territorial da região, ao lado de Roberto Carvalho Kenup Júnior, o “Baú” e Livaldo José da Silva, conhecido como Coroa, ambos presos no Complexo de Bangu.

Pastor determinou o envio de 20 pistolas para a região, além de estar comprovada a aquisição de um fuzil (AK 47) que passou a reforçar sua quadrilha em FRIBURGO. Ele foi o responsável pelo incremento da periculosidade na região, uma vez que as técnicas e táticas de guerra já utilizadas nas favelas Cariocas, passaram a ser implementadas na região Serrana fluminense, aumentando sobremaneira o risco para os policiais e para toda a população da cidade.

Também foi identificada a traficante Regiani Mendes Alves, a qual é pessoa de confiança de Pastor e o ajuda na administração dos pontos de venda de drogas em Nova Friburgo. Durante um ano de investigação, foi possível identificar 34 traficantes, os quais tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

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