segunda-feira , 19 outubro 2020

Na contra-mão de todo o Estado do Rio, São Fidélis é a cidade que mais desmatou entre 2012 e 2013

Fotos: Arquivo / Fonte: O Globo
Fotos: Arquivo / Fonte: O Globo

O Estado do Rio de Janeiro desmatou 11 hectares de vegetação, entre 2012 e 2013, segundo o “O Atlas da Mata Atlântica”.

Esses números são animadores já que significa desmatamento próximo a zero. Lar de espécies ameaçadas de extinção como o mico-leão-dourado, a Mata Atlântica é um tipo de floresta tropical presente apenas no Brasil, no Paraguai e na Argentina. No entanto, o processo de colonização do país destruiu cerca de 90% do bioma original.

Os recursos do ICMS Verde — que são repassados às cidades mais ecologicamente sustentáveis — incentivaram as prefeituras a preservar o ambiente e, em quatro anos, a área protegida por municípios fluminenses passou de 105 mil hectares para 220 mil. A fiscalização, por sua vez, foi reforçada com a criação da Comissão Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) e das Unidades de Polícia Ambiental (Upam), além da aquisição de barcos e helicópteros e a contratação de guardas-parques.

incendio-3No entanto, segundo o Atlas, algumas cidades ainda continuam a destruir o bioma. No Norte Fluminense, o município que mais desmatou foi São Fidélis, seguido por Itaguaí, na Região Metropolitana, e Paraty, na Costa Verde.

Morador de São Fidélis há 15 anos, o comerciante Deny Silveira Silva atribui o número negativo ao desmatamento em doses homeopáticas que ocorre em alguns loteamentos.

— A cidade está crescendo. A situação já foi pior, mas agora está ficando sob controle porque foram criadas ONGs que estão mais vigilantes — comentou.

timthumb (1)O “Atlas da Mata Atlântica”, que monitora o bioma há 28 anos, é uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A tecnologia utilizada permite avaliar o desmatamento em áreas florestais com mais de três hectares. Os mapas e a lista completa dos municípios brasileiros avaliados estão disponíveis no site da instituição.

10393695_731262193626630_838659564859016026_n-360x240O deputado estadual e ex-secretário estadual do Ambiente Carlos Minc comemorou o resultado, e disse que há oito anos a situação era bem diferente:

— Onze hectares é próximo do desmatamento zero. Chegamos à secretaria do Ambiente em janeiro de 2006. O Rio já tinha sido, cinco anos antes, o estado que mais destruía Mata Atlântica. Os nossos parques estavam abandonados e os municípios não se interessavam pela questão ambiental. Além disso, não havia uma estrutura de fiscalização eficiente.

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