Febre maculosa na região: Biólogo de São Fidélis alerta para cuidados a tomar com carrapatos

Uma menina de 6 anos morreu por febre maculosa em Campos. Em São João da Barra, a Secretaria Municipal de Saúde investiga a morte que um homem que ocorreu nesta semana com sinais da doença

Imagem ilustrativa/ Diário do Rio Claro

Foto: Arquivo pessoal

A confirmação da morte de uma criança por febre maculosa em Campos dos Goytacazes (reveja AQUI) e uma morte suspeita em investigação em São João da Barra acendem um alerta em nossa região. A doença pode ser transmitida por pelo menos quatro espécies de carrapatos, encontradas no Brasil. “Todas do mesmo gênero: Amblyomma. Aqui na nossa região eles são conhecidos como carrapato estrela ou micuim (forma do mesmo carrapato só que na fase juvenil). A espécie mais comum no Norte/Noroeste Fluminense, seria Ambylomma sculptum” – explica o biólogo da Secretaria de Saúde de São Fidélis, Marcell Viana Borges, que também é professor de doenças infecto parasitárias na Faculdade Metropolitana São Carlos, em Bom Jesus do Itabapoana. Segundo ele, na região também se fala muito do carrapato mamona, que é a mesma espécie, só que é a fêmea.

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O biólogo explica ainda que o principal hospedeiro da febre maculosa (bactéria do gênero Rickettsia) é a capivara, mas uma vez contaminado com a bactéria, o carrapato pode transmitir para outros animais e humanos, que também podem ser considerados hospedeiros. Como por exemplo cães, gatos, bois e ratos. “Ela funciona como um reservatório e o carrapato como hospedeiro e posteriormente como reservatório. Porque uma vez ele contaminado, permanece com a bactéria pelo resto da vida. Mas, quando ele contamina outros animais domésticos, se não tratados, esses passam a ser hospedeiros também” – disse.

Nos animais a bactéria também pode causar sintomas e morte. “Não só pela febre maculosa. Como de outras doenças de origem bacteriana. Por exemplo, anaplasmose e erliquiose. Quando a pessoa é picada, é de fácil percepção, uma vez que o carrapato não pica e sai, ele permanece. Deve-se fazer a remoção com uma pinça: normalmente se faz uma torção do carrapato com a pinça, e se for uma infestação por um grande número, procurar atendimento hospitalar pra fazer essa remoção” – orienta. Ele destaca que é importante ficar atento aos sintomas como febre, dor de cabeça, náuseas, diarreia e dores abdominais, inchaços nos pés e mãos, vermelhidão nos olhos. “Procurar o médico e informar o local em que foi infectado. Porque pela anamnese ele vai indicar o tratamento com antibiótico específico” – informa.

Já sobre a prevenção Marcell destaca que existem repelentes para carrapatos. “São semelhantes aos que são usados para mosquitos. Os que compõe DEET (N,N-dimetil-meta-toluamida). Esse seria o caso pra quem frequenta beira de rio, por exemplo. Outra forma seria o uso de carrapaticidas específicos para determinados animais domésticos em zona rural e urbana. A pessoa também, percebendo uma infestação no quintal ou em casa, deve procurar realizar uma dedetização no local” – afirma. Diante da morte confirmada e do óbito suspeita, o biólogo frisa que é um momento de reforçar os cuidados. “É aconselhável a população, sempre que identificar um foco de carrapato – seja a espécie que for, até porque é difícil, para quem não é especialista, identificar as espécies que são vetores – informar à Secretaria de Saúde do local. Ela vai encaminhar a informação para a Vigilância Sanitária e será feita uma perícia no local” – orienta.

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