Menina de 6 anos morre por febre maculosa em Campos; Saúde faz busca para combater carrapato transmissor

No município também foram registrados um caso confirmado em 2020 e outro em 2017 em áreas distintas. Os pacientes de 18 e 54 anos foram tratados e recuperados
Fotos: Divulgação

A Secretaria Municipal de Saúde, através da Subsecretaria de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde (Subpav), de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, vem adotando medidas para evitar que novos casos de febre maculosa surjam no município. No último fim de semana foi confirmado o diagnóstico de febre maculosa pelo Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) de uma criança – uma menina de 6 anos – que morreu no dia 31 de agosto no município. Coordenado pela infectologista Elba Lemos, e com apoio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SMDHS), foi realizada, nesta terça-feira (14), uma busca ativa no campo para identificação e combate ao carrapato estrela responsável pela transmissão da bactéria do gênero Rickettsia, causadora da doença, na área da comunidade Cafuringa, no distrito de Travessão.

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No município também foram registrados um caso confirmado em 2020 e outro em 2017 em áreas distintas. Os pacientes de 18 e 54 anos foram tratados e recuperados. Durante o trabalho de campo foram realizados atendimentos médico e de enfermagem para crianças e adultos que residem na comunidade, inclusive com atualização do cartão de vacina dos menores e aplicação da vacina contra a Covid-19 para aqueles que ainda não tinham se imunizado, conforme cronograma. Também foi realizada palestra com orientação para retirada de carrapatos e observação de sinais e sintomas. “A confirmação da morte da criança por febre maculosa ocorreu no último final de semana. A suspeita é de que seja um caso autóctone (transmitido por hospedeiros que vivem na região), mas há possibilidade de ter sido por contaminação externa. Nenhuma hipótese está descartada. Estamos investigando”, explica o subsecretário, Charbell Kury.

Ainda na busca ativa foram encontrados diversos carrapatos na parede da casa onde residia a criança que morreu e também em entulhos ao redor do imóvel, além de constatada a presença de capivara, um dos animais hospedeiro da bactéria, naquela região. O CCZ realizou detetização específica ao redor da residência e orientação para os moradores quanto aos cuidados para evitar o contato com o vetor da doença. O CCZ só realiza esse tipo de detetização quando há comprovação da doença. Já a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social atuou na ação com cadastramento das famílias junto ao Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), além de distribuição de bolsas de alimentos. Charbell explica ainda que durante a investigação de campo teve ciência de outra criança que morava duas casas após a residência do óbito do dia 31 de agosto. Tratou-se de uma criança de 2 anos, com registro de óbito em janeiro de 2020 em circunstância semelhante, acendendo uma luz de alerta.

“Também vamos investigar esse óbito que, na ocasião, teve a causa morte desconhecida”, disse o subsecretário, acrescentando que ambas as mortes passaram por sequência de atendimento médico por diversas unidades de pronto atendimento de emergência. Além disso, a Subsecretaria vai realizar treinamento para que a Unidade Pré-Hospitalar (UPH) de Travessão se torne referência do primeiro atendimento dos casos de febre maculosa naquela região. “Como ainda existem diversos pontos a serem esclarecidos sobre o Local Provável de Infecção (LPI) e assim proceder à conclusão sobre o ciclo de transmissão, fizemos uma proposta de parceria que foi prontamente aceita com a Fiocruz na pessoa da infectologista Dra. Elba Lemos para retornarmos à comunidade para um trabalho mais especializado a fim de entendermos se essa infecção e autóctone ou não”.

Os principais sintomas da febre maculosa são febre alta, dores de cabeça intensas, dor muscular e articular, dor abdominal, diarreia e exantema. Eles costumam aparecer entre dois e 14 dias após a picada do carrapato infectado. Entre os animais que podem hospedar a bactéria estão cavalos, capivaras, marsupiais (gambá) e cães que circulam em região com infestação e transportando o carrapato estrela infectado.

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