RJ entra para ranking de mais mortes por raios no Brasil, aponta estudo do ELAT-INPE

No período do estudo foram registradas 46 mortes em municípios fluminenses, entre eles Campos, Bom Jesus do Itabapoana, São Francisco e Macaé
Foto: SF Notícias

O Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), elaborou um levantamento inédito que analisa as mortes por raios no Brasil, e também orienta como as pessoas devem se proteger. No estudo, foram reunidas informações coletadas pelo Departamento de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) do Ministério da Saúde, veículos da imprensa e dados de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no período de 2000 a 2019. Segundo o coordenador do ELAT-INPE, Osmar Pinto Junior, o estudo representa um dos levantamentos mais detalhados sobre mortes por raios no mundo e deve contribuir muito para reduzir as mortes no país. Entre os estados no ranking de mais mortes por raios está o Rio de Janeiro. No período do estudo foram registradas 46 mortes em municípios fluminenses, entre eles Campos dos Goytacazes, Bom Jesus do Itabapoana, São Francisco de Itabapoana e Macaé. (continua após a publicidade)

Segundo o Elat, no estado do Rio os homens representam a maior parte dos casos (91%), enquanto as mulheres representam 9% dos óbitos. A maioria dos óbitos no estado ocorreu ao ar livre, 84%. Os outros 16% foram em locais fechados. Grande parte das mortes foi registrada no verão (67%). 7% foram no outono; 4% no inverno e 22% na primavera. Ainda de acordo com o estudo, o Sudeste concentra o maior número de casos (26%) e a maior parte das mortes (67%) ocorreu no verão e primavera – estações mais quentes do ano e por isto com maior número de tempestades e raios. Dentre as principais circunstâncias de fatalidades, os maiores percentuais são aqueles associados a circunstâncias de agronegócio (26%) e estar dentro de casa próximo a rede elétrica ou hidráulica (21%), seguidos por atividades na água ou próximo em praias, rios ou piscinas (9%), embaixo de árvores (9%), em áreas cobertas que protegem da chuva, mas não dos raios (8%), em áreas descampadas (7%), próximo à veículos ou em veículo abertos (6%), em rodovias, estradas ou ruas, sem estar dentro de veículos (4%), próximo a cercas, varal ou similares (4%) e outros casos (6%). Não há nenhum registro de fatalidade dentro de veículos fechados, circunstância mais segura para se abrigar durante uma tempestade. (continua após a publicidade)

A probabilidade de uma pessoa morrer atingida por um raio no Brasil ao longo de sua vida é de um em 25.000. Embora pareça pequena, de acordo com o Elat, a chance é maior do que aquela de ser mordido por um cachorro (um em 100.000). Essa probabilidade aumenta em até 2,5 vezes se a pessoa estiver desprotegida em uma área descampada durante uma tempestade típica, que produz cerca de três raios por minuto – neste caso, em apenas 30 minutos, a probabilidade de morrer atingido por um raio é em torno de um em 10.000, similar à de sofrer um acidente aéreo. Para pessoas que estejam em áreas descampadas durante uma tempestade mais forte, que produz cerca de 30 raios por minuto, a probabilidade de morrer atingido por um raio é de um em 1.000, ou seja, 25 vezes maior. Nem sempre um incidente provocado por um raio é fatal, prova disso são as mais de 300 pessoas que sobrevivem por ano após serem atingidas por um raio. Confira abaixo o ranking dos municípios do estado do Rio onde foram registradas as 46 mortes entre 2000 e 2019:
Município/ nº de mortes
RIO DE JANEIRO 10
PETRÓPOLIS 5
BARRA MANSA 3
CAMPOS DOS GOYTACAZES 3
DUQUE DE CAXIAS 3
MANGARATIBA 2
VALENÇA 2
VOLTA REDONDA 2
BELFORD ROXO 1
BOM JESUS DO ITABAPOANA 1
CABO FRIO 1
GUAPIMIRIM 1
IGUABA GRANDE 1
ITATIAIA 1
JAPERI 1
MACAÉ 1
NATIVIDADE 1
NOVA IGUAÇU 1
RIO DAS PEDRAS 1
SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA 1
SÃO GONÇALO 1
SILVA JARDIM 1
ANGRA DOS REIS 1
TERESÓPOLIS 1
TOTAL= 46

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