segunda-feira , 19 outubro 2020

Polícia investiga caso de agressão e homofobia contra músico em S. Fidélis; “espero que as pessoas sejam presas”, disse Guilherme Guilherme, que completa 32 anos nesta segunda, se mudou para a cidade buscando uma alternativa mais calma de vida para criar o filho. Ele foi agredido com paus e pedras na rua da casa em que mora na última quinta-feira (17) e denunciou as agressões em uma rede social

Guilherme, que completa 32 anos nesta segunda, se mudou para a cidade buscando uma alternativa mais calma de vida para criar o filho. Ele foi agredido com paus e pedras na rua da casa em que mora na última quinta-feira (17) e denunciou as agressões em uma rede social

Fotos: Reprodução/ redes sociais

Lábios ainda inchados, braço engessado, pontos na cabeça, entre outros ferimentos. São com essas marcas que o músico Guilherme Azevedo, que completa 32 anos nesta segunda-feira (21/09), celebra seu aniversário. Ele foi agredido por sete homens, com paus e pedras, na rua de sua casa, por causa da sua orientação sexual. As agressões ocorreram na última quinta-feira (17/09) e foram relatadas pelo músico em suas redes sociais. Ele fez questão de mostrar o estado que se encontrava – ferido e ensanguentado – ressaltando que homofobia é crime. Morando em São Fidélis há poucos meses, ele se mudou para a cidade justamente para buscar uma alternativa mais calma de vida. “Eu estava morando no Rio vim morar em São Fidélis em junho, no meio da pandemia, assustado com o jeito que as coisas estavam acontecendo lá no Rio. Quis vir para uma cidade do interior para criar meu filho com o pé no chão. Minha mãe mora aqui, minhas tias, um monte de primos. Eu vim para cá buscando uma vida mais pacata, porque eu estava morando na favela da Maré. Então vim fugindo um pouco da violência para cá” – relatou. (continua após a publicidade)

Agressões ocorreram próximo ao Rio Paraíba, nas proximidades da casa de Guilherme

Segundo Guilherme, a perseguição dos agressores era constante. Ele mudou para o bairro Vila dos Coroados há cerca de um mês e na maioria das vezes que ia até a beira do rio em um momento de lazer, encontrava com eles. “Quando falo que já estou passando por isso há algum tempo, eu falo de maneira geral e específica. De maneira específica porque os próprios agressores da beira do rio já tinham me encontrado ali em diversas ocasiões e nunca me ignorando. Sempre fizeram questão de ficar me olhando, de ficar lançando piadinhas. Mas, eu me senti perseguido desde que cheguei na cidade. Entendo que é uma cidade do interior, mas as pessoas deviam ser quem elas são. Não ando na rua de nenhuma maneira que possa chocar as pessoas. Eu imaginava que ia atrair olhares, só que você atrair olhares é uma coisa, mas atrair piadinhas, julgamentos, pessoas fazendo cara de nojo é outra” – afirmou. Sobre a agressão o artista relata que foi cercado e chegou a reagir em determinado momento, temendo por seus familiares. “Tentaram me jogar na beira do rio, me deram um soco e uma paulada na cara e eu consegui fugir. Eu voltei pra tentar intimidá-los, porque achei isso um absurdo. Quando eu fugi deles, eles gritaram que sabiam onde era a minha casa e que iam atrás de mim, então isso ficou ecoando na minha cabeça. Por medo da minha família, voltei lá. E eles vieram pra cima de mim do mesmo jeito” – lembra. (continua após a publicidade)

O músico destaca que quando fez as publicações só conseguia pensar no absurdo que estava acontecendo e frisou que casos de homofobia precisam ser cada vez mais divulgados. “A única coisa que passou pela minha cabeça foi mostrar o que aconteceu comigo. Casos como esse precisam sim ser cada vez mais divulgados, assim como a violência contra a mulher, assim como o racismo. A homofobia pra mim é um desses três pilares podres que sustentam o pior da nossa sociedade” – disse. O caso foi registrado na 141ª Delegacia Legal na última sexta (18). Ao SF Notícias, o delegado titular, Dr. Carlos Augusto Guimarães, disse que os agressores responderão pelos crimes de lesão corporal, injúria e ato obsceno. Ele disse ainda que Guilherme já foi encaminhado ao exame de corpo de delito e orientado a procurar a polícia caso encontre algum dos agressores. Um inquérito foi instaurado e diligências estão sendo feitas para identificar e ouvir a versão dos autores. O músico espera que os responsáveis sejam presos. “Que a gente saiba quem foi e que eles sejam punidos, e que esse tipo de ação/repressão possa diminuir o número desse tipo de ocorrência na cidade. Isso é o que eu espero da polícia, mas existe uma esperança social, espero que as pessoas que se sentem atingidas por esse tipo de comportamento horrendo, que elas fiquem mais confortáveis, mais empoderadas. Que elas não se sintam tão vítimas e a margem disso, que se sintam mais encorajadas de ser quem são” – revela. “Se a gente precisar gritar, denunciar e tomar porrada vamos lá. Eu acho que a gente tem que continuar essas ações, validando a importância desse movimento diariamente e com coragem” – completa. O músico pretende futuramente auxiliar na criação de um grupo para debate do tema, com encontros onde gays e lésbicas possam falar sobre diretrizes e dialogar junto com entidades governamentais, de forma a entender como a comunidade LGBTQIA+ pode ficar mais forte se unindo.

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