Pesquisa no RJ mostra que adensamento aumenta produtividade do café no Noroeste Fluminense

Fotos: Programa Rio Rural

Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisa Participativa, do Programa Rio Rural, em parceria com a Pesagro-Rio, Faperj e o Consórcio Brasileiro de Pesquisa & Desenvolvimento do Café, mostrou que o adensamento dos pés de café eleva a produtividade. O Noroeste Fluminense é o maior produtor de café do estado, com produção média anual de 260 mil sacas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado pode se tornar ainda melhor com a alteração no manejo dos cafezais.

Entre 2004 e 2016, Wander Eustáquio de Bastos, da Pesagro-Rio, estudou o comportamento dos cafezais submetidos a diversas combinações de espaçamento. Os testes foram feitos na fazenda Calendária, no município de Bom Jesus do Itabapoana. Entre os diversos arranjos de plantas, o espaçamento que se mostrou mais produtivo foi o de 2m x 0,5m, dois metros entre as linhas de café e meio metro de distância entre os pés de café na mesma linha.

“A diferença entre o arranjo que se mostrou o mais produtivo e as outras combinações é grande, com até 18% a mais na quantidade de sacas por hectare”, enfatiza Bastos.

A pesquisa revelou que se o espaçamento entre os pés de café nas linhas for menor do que meio metro, o sistema sufoca a planta, provocando a perda de cobertura inferior do cafeeiro, conhecida como “saia”. Se a distância for superior a meio metro também não é vantajoso, pois a área total é subutilizada, diminuindo a quantidade que poderia ser colhida.

O adensamento na lavoura de café é uma boa alternativa para os produtores do Noroeste Fluminense, que praticam a cafeicultura de montanha. Os quatro municípios produtores de café da região – Varre-Sai, Bom Jesus do Itabapoana, Porciúncula e Natividade – possuem características semelhantes. Os cafezais ficam em terrenos com mais de 600 metros de altitude, são da variedade catuaí e possuem cerca de 3 mil pés por hectare. Em média, são colhidas 20 sacas em áreas com essas características.

Na cafeicultura de montanha, devido aos gastos com mão de obra (as máquinas têm dificuldade para operar em morros), o custo pós-colheita representa até metade do valor da saca de café arábica colhido manualmente, hoje vendida no mercado por R$ 438. “Com o aumento do número de pés de café por área, o custo de produção por saca vai cair, melhorando os lucros do produtor”, afirma o pesquisador.

O sistema de adensamento possui outras vantagens, como maior concentração de matéria orgânica, que potencializa a umidade do solo. A incidência de pragas também é menor. Os principais pontos negativos do sistema são a poda (feita a cada seis anos) e o dia a dia de trabalho, pois o espaçamento prejudica os tratos culturais normais da lavoura.

“O adensamento é bom, mas é preciso selecionar uma variedade resistente à ferrugem, que responda bem à rebrota e que tenha porte baixo”, pondera o estudioso. Ele afirma que o ideal é ter a avaliação de extensionistas. Nos escritórios locais da Emater-Rio, os produtores podem contar com o apoio dos técnicos do Rio Rural. Nos últimos doi

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