Parque Estadual do Desengano é reduto de Onça-parda no interior do estado do Rio

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Fotos: Vinnicius Cremonez / Marcello Almeida/divulgação

Criado em 1970, o Parque Estadual do Desengano (PED) é a unidade de conservação estadual mais antiga do Estado do Rio de Janeiro e se destaca, entre outros aspectos, por ser o último remanescente florestal de grande extensão na região Norte Fluminense. Com uma área de, aproximadamente, 22.400 hectares, o parque abrange os municípios de Campos dos Goytacazes, São Fidélis e Santa Maria Madalena. Para manter esse local rico de nosso ecossistema e de natureza exuberante preservado, o Parque do Desengano conta atualmente, com 15 integrantes, entre guarda-parques, coordenador de campo, chefe e subchefe do parque, além de 28 policiais da Unidade de Policiamento Ambiental (UPAm). Entre as principais atividades desenvolvidas no Parque do Desengano destacam-se a proteção à natureza, a realização de pesquisas científicas e o uso público. De acordo com Carlos Dário, Gestor do Parque, ações de fiscalização são empreendidas rotineiramente em toda a área abrangida pela unidade de conservação. Seja por meio de estradas de terra ou trilhas em meio à mata, o efetivo do PED, em parceria com a UPAm, percorre o território do parque, buscando combater a caça, desmatamento, uso indevido do fogo, entre outras atividades ilegais.

parque do desnegano nvO Parque Estadual do Desengano possui diversas trilhas abertas à visitação, além de cachoeiras, picos e outros atrativos naturais. Ainda segundo Carlos, a equipe  realiza o monitoramento destes atrativos, sobretudo nos períodos de alta procura, visando fornecer orientações aos visitantes sobre conduta consciente e coibir a realização de ilícitos. Em 2016, a equipe do parque está realizando um trabalho intenso de manejo e sinalização das trilhas existentes na área do parque e entorno, visando melhorar as condições de acesso e incrementar a visitação. A sede da unidade fica em Santa Maria Madalena, e possui alojamentos para apoio às atividades de pesquisa científica e conta, ainda, com centro de visitantes e auditório para realização de palestras, seminários e outros eventos. Outra atividade incorporada à agenda do parque são as visitas escolares, que ocorrem durante todo o ano e contemplam estudantes de várias regiões do Estado do Rio de Janeiro.

oncaReduto da Onça-parda

Assim como o Muriqui do Sul, uma espécie de primata endêmico da Mata Atlântica brasileira e símbolo do Parque do Desengano, a Onça-Parda também usa a unidade como seu reduto. Em agosto de 2014 por exemplo, onça pintada correto 4duas onças-pardas (Puma concolor), foram registradas através de armadilhas fotográficas instaladas em área no interior do parque durante a segunda etapa da pesquisa realizada pelo laboratório LABPMR da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Já em novembro do ano passado, uma Onça-parda foi encontrada morta na zona rural do município de São Sebastião do Alto. O animal que apresentava sinais de que havia sido atropelado por algum veículo foi encontrado por uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente às margens da RJ -172, rodovia que liga São Sebastião do Alto ao município de Santa Maria Madalena, na altura da localidade conhecida como Fazenda Humaitá.

pegada de onçaO registro de rastro de Onça-parda mais recente no parque foi feito entre os dias 19 e 22 de fevereiro desse ano, durante a travessia entre o Poço Parado e o Rio Mocotó, que fica entre os municípios de São Fidélis e Campos. A equipe fez a travessia com o intuito de monitorar a biodiversidade de aves, bem como realizar o manejo e limpeza da trilha de quase 17 quilômetros, entre as duas cidades. A Onça-parda é um dos mais importantes predadores de topo de cadeia alimentar do Parque Estadual do Desengano. Sua alimentação é predominantemente carnívora. Dentre as suas principais presas estão os porcos-do-mato (Pecari tacaju), pacas (Cuniculus paca) e macucos (Tinamus solitarius), mas não deixando de predar o que for possível para garantir sua sobrevivência e de suas proles. É um animal com grande extensão territorial, podendo ser avistado, inclusive, vagando por áreas abertas como pastos ou plantações de eucaliptos procurando por presas ou áreas propícias para alimentação.

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