terça-feira , 20 outubro 2020

Funcionários do único hospital de São Fidélis vivem situação precária e humilhante com salários atrasados Contas atrasadas com altos juros, aluguel e ameaça de corte de luz e água são algumas das dificuldades enfrentadas

Contas atrasadas com altos juros, aluguel e ameaça de corte de luz e água são algumas das dificuldades enfrentadas

Fotos: SF Notícias

A situação crítica e humilhante que os funcionários do único hospital da cidade estão passando, vem mobilizando a população seja pelas redes sociais ou através de protesto na porta da Associação Hospitalar Armando Vidal. Com três meses de salários atrasados, além de ainda não terem recebido o 13º de 2015 e parte do de 2016, eles estão enfrentando dificuldades, visto que a renda da maioria provém somente da unidade.

Um desses é o maqueiro Jocelino Laurindo, há 18 anos na unidade, cuja renda, dele e da esposa, vem somente do HAV. Ele fez uma transmissão ao vivo no Facebook onde contou dos problemas que está passando em casa e cobrando o que lhe é de direito. Em entrevista ao SF Notícias, ele falou sobre a situação precária que está vivendo. “A situação é precária. Precária mesmo! As contas começaram a chegar, faturas de cartão com juros enormes. Estou dormindo a base de medicamentos, não sei mais o que fazer” – contou o funcionário.

Caso não tivessem recebido cestas básicas, provenientes de doação, Jocelino afirma que muitos estariam passando fome. “Graças a Deus temos alguém com o coração bom doando cesta básica, doando o que pode e se não fossem eles estaríamos com filho passando fome” – relatou.  

Além das contas, como água, luz e fatura de cartão, ele conta que alguns funcionários estão com débito na justiça, podendo até serem presos. “Tem gente que já está com mandado de prisão porque atrasou a pensão e até falando em suicídio. Levamos quase uma hora conversando com uma pessoa, tentando falar que isso não é solução” – revelou. Com contas atrasadas e sem receber nenhum centavo, funcionários estão pedindo demissão.

“O sindicato disse que se alguém quiser pedir rescisão a hora era essa e todos receberiam seus direitos, porque a instituição quebrou o contrato com os funcionários. Mas, o fato de eu ter criado aqui todos os meus filhos, esse tempo todo eu tenho um amor, um carinho muito grande, costumo dizer que aqui é minha segunda casa”. Jocelino disse ainda que acredita que o hospital irá se reerguer “Acredito que tudo isso é um vento e vai passar”.

Uma nova manifestação está sendo marcada para esta segunda, segundo Jocelino. Ele convida àqueles que estiverem dispostos a entrar na luta para promover uma paralisação na RJ-158, próximo ao Matadouro. “Queremos fazer uma manifestação pacífica, nada de baderna, não estamos aqui para dar prejuízo a ninguém”.

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