Bombeiro é preso após salvar vida de criança em Itaperuna

Vivenciamos nesta semana uma advertência à um médico do Corpo de Bombeiro Militar da região Norte/Noroeste do Estado do Rio de Janeiro que será submetido à inquérito. O motivo: salvar uma vida de um menino que estava internado com um estado de saúde estável, mas entrou em coma e necessitava urgentemente de uma cirurgia. O detalhe é que este médico é o único especialista do Município apto à atender as intervenções cirúrgicas, das quais, a criança necessitava.

faixadaHospital[1]O médico do Corpo de Bombeiros de Itaperuna, foi preso na noite de segunda-feira (2) após deixar o batalhão da cidade para salvar a vida de uma criança de um ano e três meses que estava internada no Hospital São José do Avaí.

O fato que gera polêmica é que acima de tudo isso há um código de ética do Conselho Federal de Medicina que prima pelo salvamento de uma vida e mesmo sendo o herói (médico e bombeiro) apesar de estar no plantão, fica a pergunta: o que valeria mais: o regime militar? a Constituição?ou a vida que foi salva em uma cirurgia emergencial de uma criança internada em um hospital da Região pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem mesmo por plano de saúde ou particular para justificar uma segunda intenção do profissional. Além de DEUS apenas as mãos de um único especialista poderia salvar a vida.

Não discordo de regimes militares, pelo contrário, admiro o poder de comandantes, corregedores, promotores e juízes que condenam e punem severamente militares que cometem crimes enquanto deveriam trabalhando em prol da Segurança Pública ou para salvar vidas alheias…mas se neste caso não teve emergência na Corporação que fizesse o militar deixar de realizar o atendimento do cargo exercido, porque um profissional ético e compromissado ainda poderá receber punições e até mesmo uma possível prisão administrativa, se no final da história um menino teve o direito de viver graças a esta brava ação de um profissional?!

Em qual país chegamos para que superiores não se atentem à uma série de documentos como laudos que apontam para a necessidade urgente de uma cirurgia? Se faltou o comunicado de uma ida extra à um socorro diferente que fique o entendimento de um ato imediato onde um segundo pode valer uma vida e sendo assim para que ir além de uma advertência? Acredito que autoridades competentes terão discernimento para instruir e analisar este caso isoladamente com um olhar humano e priorizando o resultado que não prejudicou o desempenho de nenhum outro atendimento. Raro é encontrar profissionais que tenham uma missão e a cumpram com afinco e sem medir esforços.

O código ou regime militar foi feito para ser cumprido mas uma resultado de glória de um militar vale mais do que qualquer norma! Claro, que quero que se cumpram as Leis, mas que nossas autoridades não punam além de uma advertência o ato de bravura que foi realizado neste caso.
Em relação ao Comandante do Oficial, realmente cabe a tarefa de notificação do fato, mas será que ao Comando superior não caberia uma análise cuidadosa quanto as sequências do caso e das provas que indicam a necessidade de uma simples advertência já que seja cumprido o Código Militar! Até onde deve ir uma punição mais complexa quando uma vida foi salva por um “anjo do fogo, da agua e da vida” sem afetar o desempenho da Corporação.

Um parente da criança que foi operada, comovido com a punição desabafou:”um homem que é capaz de lutar pela vida de um desconhecido assim como este bombeiro militar fez é o maior exemplo de que no mundo ainda existe ser humano e esperança de um futuro melhor. Minha família será eternamente grata e admiramos a atitude dele. A cirurgia não poderia esperar…nosso menino foi salvo mas ficamos indignados por ele ter tido problemas com esta ação que só merece elogios”, conta o familiar.

Para a empregada doméstica Jessica Nogueira dos Santos, 39 anos, a indignação é maior. “Pelo que a imprensa noticiou a atitude não prejudicou nenhum outro chamado ao Bombeiro. Então será que uma vida ser salva não vale mais do que outro ato? Entendo que por ser militar ele tinha regras para cumprir, mas ele acabou prestando socorro em outro lugar. Foi sem receber dinheiro…a criança estava internada pelo SUS…não me conformo em punir um militar por isso! Se que ele matou alguém?  Roubou? Extorquiu? Torturou? Negou atendimento?? Claro  que não! Ele salvou uma vida”, enfatiza a doméstica.   Parabéns ao Estado do Rio de Janeiro por ter militares como este que se dedicou à sua missão.

Parabéns aos médicos que cumprem com o Juramento de salvar vidas independente de onde estiverem e sempre com muita consciência. Me orgulho em ser brasileira por atos como este que ocorreu no inicio desta semana no interior do Estado. Me orgulho em termos policiais e bombeiros no Estado que primam pela Segurança Pública e pela vida respectivamente.

Reportagem cedida pela Jornalista Lilia Ribeiro Bustilho

 

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