Evento deixou saudades, mas contribuiu para o desaparecimento da lagosta, segundo ambientalista

Última Festa da Lagosta foi realizada há 31 anos em São Fidélis

Há exatos 31 anos moradores de São Fidélis

e visitantes desfrutavam a famosa festa que fez o município ser conhecido como “Terra da Lagosta”, pela última vez. No dia 29 de maio de 1988, foi realizada a última ”Festa da Lagosta”, evento que deixou saudades, mas contribuiu para o desaparecimento do crustáceo.

A primeira festa foi realizada em 1968, o objetivo era chamar a atenção do Governo para a cidade através do turismo. A cada edição, o evento atraia mais e mais turistas, chegando a reunir milhares de pessoas no Horto Municipal. O público encontrava bebidas, frutas tropicais, e claro, a famosa lagosta. Também fazia parte da programação o concurso “Garota da Festa”. 

Entretanto, conforme relata o historiador ambiental, Arthur Soffiati (foto ao lado), as festas foram danosas a lagosta, pois o esforço de pesca foi reduzindo a população de lagosta. Em artigo publicado no SF Notícias em 2016 ele afirmou:

“Com a sucessão de festivais gastronômicos, a chamada lagosta de São Fidélis tornou-se conhecida nacionalmente. Marataízes, Itapemirim e Barra do Itabapoana poderiam ter criado festivais semelhantes, mas felizmente não lhes ocorreu essa ideia. Em São Fidélis, a propaganda das festas passou a atrair consumidores de vários pontos do Brasil. Em outras palavras, as Festas da Lagosta, além de se tornarem anuais, aumentou seu consumo o ano inteiro, até mesmo em tempos de reprodução, pois ainda não havia o desrespeitado instituto do defeso. No final, empresários, políticos, classe média e pescadores exultaram as festas, sem qualquer preocupação ecológica, não considerando que um dia o pitu pudesse atingir níveis mínimos em sua população e chegar mesmo à extinção”.

No mesmo ano e também em entrevista ao site, o pescador Domingos José Afonso, conhecido como Dominguinhos, disse que a Festa da Lagosta foi importantíssima para a cidade e que para trazer o turismo é preciso fazer um trabalho que não prejudique a natureza. “A Festa da Lagosta deu nome a cidade, nós ficamos vários anos com o nome lá em cima, no turismo. São Fidélis precisa ver que o turismo ainda é o único caminho para o nosso município, mas nós temos que criar meios para que o povo venha de fora e traga dinheiro, mas através de um trabalho sólido, bem executado, sem atingir o meio ambiente e a ninguém”.

Para ele se os pescadores protegessem e fizessem uma auto fiscalização, seria possível realizar a festa novamente. “Nós tínhamos que proteger, pescar uma vez só no ano. Se deixasse para pescar no inverno, um mês só, o pescador ser o próprio fiscal, faria festa todo ano para 2 mil pessoas, valor que daria a São Fidélis aquele crédito de Terra da Lagosta.”

Veja também: Ambientalista relembra a polêmica envolvendo a Festa da Lagosta de São Fidélis

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