Transposição do Rio Paraíba do Sul poderá afetar interior do Estado do Rio

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Fotos: Vinnicius Cremonez

Em nota técnica encaminhada ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos e ao Comitê de Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), a Câmara Técnica de Recursos Hídricos e Equipamentos Hidráulicos do Comitê do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana critica a decisão da Agência Nacional de Águas (ANA) de permitir mais uma transposição do Rio Paraíba do Sul, desta vez para atender ao município de São Paulo.

O documento, que expõe o cenário atual da região Norte e Noroeste Fluminense quanto ao uso das águas do Paraíba para abastecimento da população e suas atividades econômicas, além de traçar os possíveis impactos na segurança hídrica da região frente à redução da vazão do Paraíba, considera arbitrária a decisão tomada pela ANA.

RIO PARAIBA DO SUL FOTO VINNICIUS CREMONEZ 6“Já está certo que vai ser feita a transposição. Agora, a discussão é de onde serão tirados os 17 m3/s que devem ir para São Paulo: do Rio Guandu ou do restante do Estado. Nós defendemos que devem ser tirados da capital, para que o interior do Estado não seja ainda mais prejudicado”, explica um dos diretores do Comitê, João Gomes de Siqueira, pesquisador do Laboratório de Zootecnia e Nutrição Animal (LZNA) da Uenf.

Ele lembra que, desde a década de 1940, o Rio Guandu recebe 119 m3/s das águas do Paraíba para atender à capital fluminense, restando 71 m3/s para o restante do estado. Na época, não houve nenhuma discussão sobre os impactos que esta transposição poderia trazer ao interior do Estado.

Rio Paraíba do Sul foto Vinnicius Cremonez 1“Sem dúvida, esta transposição, que tomou 2/3 das águas do Paraíba para atender à cidade do Rio de Janeiro, foi a causa para muitos problemas que vemos hoje”, diz João Gomes, que esta semana participa de um seminário promovido pela Rede Vale sobre a transposição paulista.

A nota técnica afirma que há um erro nos números que amparam a decisão da ANA. “Alguns dados mostram que em mais de 80% do tempo são observados e medidos valores situados abaixo de 200 m3/s, com picos de vazões mínimas de 79 e 118 m3/s em São Fidélis e Campos, respectivamente”.

Segundo a nota, “qualquer diminuição do nível do rio, na ordem de centímetros, alteraria a dinâmica hídrica dos canais e lagoas da região, influindo também no lençol freático de toda a baixada campista”. Ainda segundo o documento, a diminuição da vazão do Paraíba agravará ainda mais o problema da salinização causado pelo avanço da água do mar em São João da Barra.

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Fonte: ASCOM

 

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