sexta-feira , 30 outubro 2020

Polícia investiga denúncia de pedofilia após divulgação de vídeo de criança, em Cordeiro "Eu não vou me calar. Tenho certeza que muitas crianças já foram vítimas ou iriam ser vítimas desse homem. Muitas mães não tem coragem de falar, por isso que a pedofilia tá aí, aumentando cada vez mais", disse a mãe da criança

"Eu não vou me calar. Tenho certeza que muitas crianças já foram vítimas ou iriam ser vítimas desse homem. Muitas mães não tem coragem de falar, por isso que a pedofilia tá aí, aumentando cada vez mais", disse a mãe da criança

Fotos: SF Notícias

A Delegacia de Polícia Civil de Cordeiro, na Região Serrana do Rio, investiga uma denúncia de pedofilia. Um vídeo com imagens de uma menina de apenas 11 anos foi publicado em um perfil no Facebook na última segunda-feira. A polícia foi procurada pela mãe da criança, a Elaine Moraes, conhecida como Elaine da Batata, bastante conhecida no município. Ao SF Notícias ela contou que ficou sabendo do vídeo através de uma cliente. O pedófilo entrou em contato com sua filha através de um aplicativo de mensagens se passando por uma menina de aproximadamente 12 anos, e foi conversando com a menina como se fosse uma amiga. Em uma das conversas com a criança ele enviou um vídeo de uma menina, como se fosse essa menina, e pediu que a vítima enviasse um vídeo dela. “Ele envia o vídeo de uma menina, se passando por ela, e depois pede o vídeo das vítimas. A minha filha não é a primeira vítima”, disse a mãe da criança. Se passando pela filha, Elaine conversou com o pedófilo, que em todo momento se passava por uma menina. Achando que era a criança que estava respondendo, ele tentou fazer chamadas de vídeo, e disse que se ela não mostrasse o corpo, divulgaria o vídeo que tinha. “Em momento algum dava para imaginar que seria um homem. Eu só percebi que era um homem porque ele começou a ficar bravo. Ele me ligava e não conseguiu me ver, ai colocou vários emojis com a cara de bravo. Ele falou que era pra eu fazer um vídeo pra ele que ele mostraria as partes íntimas. Foi ai que eu vi que realmente se tratava de um homem”, disse Elaine. (continua após a publicidade)

Elaine contou também que na publicação feita o pedófilo não identificou sua filha, mas uma menina acabou tirando um print da publicação e acabou compartilhando, identificando que era a filha de Elaine no vídeo. A mãe entregou o celular da filha e prints da conversa para a polícia. “Eu não vou me calar. Tenho certeza que muitas crianças já foram vítimas ou iriam ser vítimas desse homem. Muitas mães não tem coragem de falar, por isso que a pedofilia tá aí, aumentando cada vez mais. Espero que tudo que está acontecendo comigo e com minha filha sirva de exemplo para muitos pais, pois achamos que nunca vai acontecer com a gente, mas infelizmente acontece”, concluiu Elaine. O delegado titular da 154ª Delegacia Legal de Cordeiro informou que o caso segue sendo investigado, testemunhas sendo ouvidas e diligências sendo realizadas. Na terça Elaine fez uma publicação em seu perfil. “Amigos, aqui é a Elaine, uma mãe desesperada. Peço pelo amor de Deus que não compartilhem o vídeo da minha filha, nós estamos sofrendo demais com tudo isso. Se coloquem no meu lugar e no lugar da minha filha. É apenas uma criança linda, cheia de sonhos. Todos contra a pedofilia”, diz a postagem que ganhou repercussão em Cordeiro e cidades vizinhas. (continua após a publicidade)

Pornografia infantil é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo o Artigo 241 – A da Lei nº 8.069, quem fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornografia envolvendo criança ou adolescente, pode ser punido com reclusão de três a seis anos e multa. Em uma postagem em seu perfil na rede social, a advogada Valéria Melo, presidente da 45ª Subseção da OAB em Cordeiro lembrou que independente de ser uma criança ou adulto, a publicação de vídeos íntimos, além de ser crime, é imoral, e as pessoas que compartilham também são responsabilizadas. “Se nossa sociedade se conscientizar do mal que isso causa no psicológico da criança e consequentemente na família, casos como esse talvez deixem de ser repetidamente noticiados, causando danos irreparáveis a quem é atingido”, disse a advogada, que lembrou também da Lei 13.718/18 do Código Penal, que criminaliza a divulgação de cena de estupro, de sexo ou de pornografia. A pena inicial para esse crime é de 1 a 5 anos de reclusão. A advogada ainda fez um pedido. “Não compartilhem vídeos ou registros que contenham cenas de sexo explícito ou pornografia envolvendo criança ou adolescente”.

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