“Para de ficar postando coisa de gente preta, de gay”, diz mulher em pregação em igreja de Friburgo

Delegado titular da 151ª DP, que abriu um inquérito, afirmou que há um teor claramente racista e homofóbico no vídeo

O vídeo (veja no final da matéria) de uma pregação em uma igreja evangélica de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, gerou revolta e críticas nas redes sociais. Durante seu discurso, a líder de célula Karla Cordeiro, falou sobre fiéis que defendem causas LGBTQIA+, raciais e políticas. Em determinado momento da pregação ela diz: “Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para! Posta palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta!”. Karla afirma ainda que “é um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira”. Publicado na página do jornalista, presidente do PDT de Nova Friburgo, Wanderson Nogueira, o vídeo recebeu dezenas de comentários de repúdio.

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Após analisar o discurso, a 151ª Delegacia de Nova Friburgo abriu inquérito e investiga o caso. Em vídeo, o delegado titular da 151ª DP, Henrique Pessoa, afirmou que há um teor claramente racista e homofóbico no vídeo, “o que configura transgressão típica na forma do artigo 20 da Lei 7716/87”. Ele destaca que a pena prevista é de 3 a 5 anos de prisão, com circunstâncias qualificadoras. “Foi instaurado inquérito policial pelo crime de intolerância racial e homofóbica, de acordo com a recente previsão do STF”, disse o delegado.

continua após o vídeo

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Em seu perfil no Instagram, Karla Cordeiro publicou uma nota de retratação em que pede desculpas pelos termos utilizados na palestra. “Eu, na verdade, fui infeliz nas palavras escolhidas e quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito contra pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastor é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+”. Na nota, Karla afirma ainda “a minha intenção era de afirmar a necessidade de forcarmos em Jesus Cristo e reproduzirmos seus ensinamentos, amando os necessitados e os carentes, principalmente, as pessoas que estão sofrendo tanto na pandemia. Fui descuidada na forma como falei e estou aqui pedindo desculpas. Ressalto também que as palavras que utilizei não expressam as opiniões do meu pastor, nem da minha igreja”.

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