IPHAN, que reconhece o local como sítio arqueológico, por se tratar de cemitério de negros escravizados, informou que vai enviar um arqueólogo para inspeção

Ossos de escravos voltam a aparecer na Praia de Manguinhos, em São Francisco de Itabapoana

Fotos: Reprodução

Com as ressacas registradas no município de São Francisco de Itabapoana, no norte do Rio de Janeiro, ossadas que seriam de escravos voltaram a aparecer na Praia de Manguinhos, nesta terça-feira (26/11). O local é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como um sítio arqueológico, e seria um cemitério de escravos. De acordo com o Diretor do Departamento de Cultura da cidade, Paulo Roberto Cunha, que informou ao IPHAN sobre o aparecimento das ossadas, sabe-se que naquela localidade chegavam embarcações trazendo escravos, e que muitos seriam enterrados na praia. A Polícia Militar foi acionada na noite de ontem e militares preservaram a área. A ossada foi recolhida pelo rabecão do Corpo de Bombeiros e o caso registrado na 147ª Delegacia do município. (Continua após a publicidade)

Em nota enviada ao SF Notícias, o IPHAN informou que o escritório técnico responsável pela região solicitou à Prefeitura local o isolamento da área para evitar qualquer dano aos achados arqueológicos. “O Instituto informa que está tomando providências para enviar um arqueólogo para inspeção do local no tempo mais breve possível”. Ossadas têm sido encontradas naquela região desde os anos 70. Desde 1997, o local é registrado como sítio arqueológico pelo IPHAN por se tratar de cemitério de negros escravizados. De acordo com o “Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil”, coordenado pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal Fluminense, a localidade também conhecida como “porto de Manguinhos” foi um importante local de desembarque clandestino de africanos mesmo após 1850. Além dos traficantes de escravos de São João da Barra, vila à qual pertencia as praias de Manguinhos e Buena, a região também era utilizada para desembarque de africanos por traficantes de Quissamã, Bom Sucesso, Carapebus e Macaé.

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