segunda-feira , 19 outubro 2020
Allóes tinha 23 anos, era transexual e cheio de talentos; Sua morte comoveu diversas comunidades trans, que destacaram como o preconceito leva muitos jovens à depressão e ao suicídio

Morte de músico comove moradores de Cantagalo e comunidades trans

Fotos: Reprodução

A cidade de Cantagalo, na Região Serrana do Rio, está em luto com a perda do jovem Allóes Carvalho. Ele tinha 23 anos, era transexual, possuía inúmeros talentos musicais e lutava contra a transfobia. Allóes cometeu suicídio na véspera de natal (24/12).

O caso comoveu a comunidade trans, chocou familiares e amigos. Nas redes sociais, diversas páginas homenagearam o jovem e ressaltaram a luta da população trans por seus direitos e principalmente contra o preconceito.

O “Grupo LGBT+ Independente de Nova Friburgo” lamentou o falecimento de Allóes dizendo “Acreditamos também na necessidade de iniciarmos campanha pela prevenção do suicídio de LGBTs que têm crescido na região. Força à família e amigos. Cuidemos uns dxs outrxs. O Luto para o LGBT é verbo”. 

A AHTM ((Associação de Homens Trans & Transmasculinidades) do Recife, publicou “O silêncio acaba de silenciar mais uma vítima (…) o músico e cantor não resistiu as cobranças desse mundo, e decidiu partir. Infelizmente a população LGBT tem um auto índice de suicídios devido a exclusão e não aceitação por parte da família e sociedade, esse número é ainda maior entre a população trans. Pesquisas, não oficiais, revelam que quase 80% dos Homens Trans brasileiros já pensaram ou já tentaram tirar a própria vida”.

 A página “Minha História – TRANSitou” escreveu “Hoje a página está de luto , cada vez mais sabemos a importância da prevenção ao suicídio principalmente no meio da nossa comunidade , sabemos que é uma caminhada solitária onde estamos expostos a vários preconceitos, a falta de entendimento sobre o que somos e nossos direitos ainda é pouco discutido perante a sociedade , mais não podemos nos abandonar, não podemos deixar de dar apoio ao próximo e sempre mostrarmos que ele é importante para nós”.

Um mês antes de cometer suicídio, Allóes gravou um vídeo com sua mãe, onde a mesma dá um depoimento sobre ter um filho trans. “Espero que esse vídeo ajude muitos meninos e meninas que não são aceitos em suas casas. Esse vídeo nos mostra que não é preciso usar o termo politicamente “correto” para dizer o quanto ama, e aceita o outro do jeitinho que é” – escreveu o jovem. 

Amigos também lamentaram a morte do rapaz: “Inacreditável! Mas é isso que acontece quando você não é respeitado. Dói por dentro. Dói tanto que você acaba não aguentando, e para aliviar talvez só a morte. Tô sem palavras. Vai com Deus”;
“Mais um que carregava uma cruz cheia de dor, e escondia essa dor por trás de um sorriso”;
“É difícil viver em um mundo tão preconceituoso, tão sujo como esse. As pessoas só sabem julgar e apontar, ninguém passa pelos problemas, ninguém sabe o motivo de cada um”.

 

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