Mais votado em cidades da região, Witzel é o 1º governador a sofrer impeachment no RJ desde a ditadura

Cinco governadores do RJ já foram presos, e Witzel é o primeiro governador na história a sofrer impeachment desde que Badger Teixeira da Silveira foi destituído pelo regime militar, em 1964

De aposta à decepção. Wilson Witzel foi o candidato mais votado em quase todos os municípios das regiões Norte, Noroeste e Serrana do RJ, sendo escolhido para governar o nosso estado, mas acabou sendo afastado do cargo e entrou para história de uma forma que seus eleitores jamais imaginariam que fosse acontecer. Hoje, após Witzel sofrer o impeachment, muitos moradores da região usaram as rede sociais para dizer que estão arrependidos.

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Afastado após ser denunciado por envolvimento em um esquema de desvios de recursos na área da saúde, que seriam aplicados no combate à pandemia de Covid-19, Witzel é o primeiro governador da história a sofrer um impeachment desde que Badger Teixeira da Silveira foi destituído pelo regime militar, em 1964.

Por unanimidade, o Tribunal Especial Misto aprovou o processo de impeachment de Wilson Witzel, que deixa de ser oficialmente governador do Rio de Janeiro. O tribunal misto é composto por cinco desembargadores e cinco deputados estaduais. O relator do processo, o deputado Waldeck Carneiro (PT), votou pela condenação do governador afastado por crime de responsabilidade, com perda do cargo e inelegibilidade por 5 anos. Foram 10 votos a favor do impedimento e nenhum contra. Assim como o antecessor, Witzel deixa o cargo antes do mandato terminar. Luiz Fernando Pezão foi preso a 31 dias do fim da gestão.

No processo de impeachment, Witzel foi condenado por crimes de responsabilidade na resposta do governo do estado à pandemia, e, especificamente, pela requalificação da organização social (OS) Instituto Unir Saúde ao assumir contratos com a administração pública e a contratação da OS Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) para a construção e gestão de hospitais de campanha no ano passado.

Para ser condenado, Witzel precisava receber sete dos dez votos no tribunal misto, que era composto pelos desembargadores Teresa Castro Neves, Maria da Glória Bandeira de Mello, Inês da Trindade, José Carlos Maldonado e Fernando Foch e pelos deputados estaduais Waldeck Carneiro (PT), relator do processo, Alexandre Freitas (Novo), Chico Machado (PSD), Dani Monteiro (PSol) e Carlos Macedo (REP).

“Este processo de impeachment está ignorando a jurisprudência dos tribunais superiores e continua usando a delação de Edmar [ex-secretário de saúde do estado], surpreendido com 10 milhões de reais, como única prova contra mim. Será uma terrível mácula para a democracia brasileira. Triste. É revoltante o resultado do processo de impeachment! A norma processual e a técnica nunca estiveram presentes. Não fui submetido a um Tribunal de um Estado de Direito, mas sim a um Tribunal Inquisitório. Com direito a um carrasco nos moldes do estado islâmico, que não mostrou o rosto. O delator que escondia 10 milhões no colchão virou herói neste Tribunal, e a única prova para o GOLPE! Todo Tribunal Inquisitório é unânime. Hoje não sou eu que sou cassado, é o Estado Democrático de Direito!”, disse Wilson Witzel nas redes sociais.

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