Corona não deve tirar foco de doenças já existentes no país, dizem especialistas

"Estamos preocupados com o coronavírus porque é um vírus novo. Ninguém tem imunidade, então, a chance de ele infectar um número muito grande de pessoas é muito alta se ele se alastrar" - afirma infectologista
Fotos: Pixabay/ Reprodução

O mundo vive uma pandemia do Covid-19, doença causa pelo novo Coronavírus, revelou a Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 11 de março. A definição de pandemia não depende de um número específico de pessoas afetadas, mas atinge esse patamar quando uma doença infecciosa afeta um grande número de pessoas espalhadas pelo mundo. Segundo a OMS a medida serve como um alerta para que todos os países, sem exceção, adotem ações para conter a disseminação do problema e continuem cuidando dos pacientes adequadamente, mas as diretrizes da entidade seguem as mesmas, uma vez que os casos têm aumentado diariamente nos países afetados. A doença provocada pela variação originada na China foi nomeada OMS como Covid-19, em 11 de fevereiro. Ainda não está claro como ocorreu a mutação que permitiu o surgimento do novo vírus. No Brasil, novos casos são confirmados a cada dia, alterando a rotina do país, mas o coronavírus não deve tirar foco de doenças que já circulam no país. Em entrevista à BBC News Brasil, em fevereiro, o infectologista Alberto Chebabo, do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), destacou que é preciso se preocupar também com doenças como dengue, febre amarela e sarampo. (continua após a publicidade)

“Estamos preocupados com o coronavírus porque é um vírus novo. Ninguém tem imunidade, então, a chance de ele infectar um número muito grande de pessoas é muito alta se ele se alastrar. Agora, temos outras doenças no Brasil com as quais temos que nos preocupar”, disse à publicação. “A cada ano, temos uma epidemia de dengue. Parece que nos acostumamos que várias pessoas vão ficar doentes e algumas delas, morrer e entrar nas estatísticas. E essas mortes são teoricamente evitáveis”, completou o infectologista. Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, foram detectados 1.544.987 casos prováveis de dengue no país, aumento de 525% em relação a 2018. Desse total, foram confirmados 1.419 casos de dengue grave (DG) e 18.740 casos de dengue com sinais de alarme (DSA). As mortes totalizaram 782. (continua após a publicidade)

Para evitar a dengue, a melhor forma é impedir a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, eliminando água armazenada em vasos de plantas, galões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas, conforme recomendações do Ministério da Saúde. Utilizar um repelente eletrônico também pode ser uma boa alternativa para ajudar a repelir esse e outros insetos. Já a febre amarela teve seu último surto em 2017/2018. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa. De 1º de julho de 2017 a 30 de junho de 2018, foram confirmados 1.376 casos no país e 483 óbitos, somando uma taxa de letalidade de 35%. O sarampo é menos letal que o coronavírus, porém mais contagioso. No Brasil tiveram 16 mil casos em 2019.

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