Cinomose canina: São Fidélis registra aumento de casos e veterinária alerta para importância da prevenção

A doença é muito grave, com alta taxa de mortalidade e morbidade. Confira alguns dos sintomas e como ocorre a transmissão
Fotos: Arquivo pessoal/ Melissa (poodle) e o filhote que não resistiu

São Fidélis, no Norte Fluminense, tem registrado um aumento de casos de cinomose, o que vem preocupando quem tem cães. A cadela Melissa foi um dos animais infectados na cidade. Segundo o dono dela, ela acabou pegando a doença de uma outra cadela, que ele havia resgatado. “Melissa teve uma secreção esverdeada no olho, que é um dos sintomas, e vômitos. A outrazinha menor que eu tava cuidando e morreu perdeu o paladar, teve essa secreção no olho e atingiu a parte respiratória também” – conta. Como ele já sabia que o filhote estava com a doença, iniciou o tratamento de seus outros dois cães, o que segundo ele, ajudou muito. “O difícil dessa doença é que às vezes você demora a perceber e pode ser tarde. Começar o tratamento cedo faz toda a diferença, pelo que percebi” – afirma. Ele também fez um alerta para quem quer resgatar um animal da rua. “Se for colocar um animal da rua dentro da sua casa, que os seus estejam com as vacinas em dia, e mais rápido possível, vacine o de rua” – ressalta. Devido ao aumento de casos, o projeto de castração de animais de rua da Prefeitura Municipal, feito por uma clínica veterinária vencedora de licitação, precisou ser pausado.

Transmissão e sintomas
A veterinária Stephany Carvalho explica que a transmissão pode ocorrer de três maneiras, de forma direta, através do contato direto de um animal saudável e não imunizado com secreções nasais, oculares, fezes ou urina de um animal doente; indireta, por inalação de aerossóis ou de gotículas respiratórias que ficam suspensas no ar, de um animal doente para um animal não imunizado e também através de fômites como caminhas, casinhas, potes de água e comida, roupas contaminadas, etc; e transplacentária: quando a mãe gestante e doente passa o vírus para o feto. Ela destaca que a doença não é transmitida para humanos e gatos. “A cinomose não afeta humanos e gatos. Dos animais domésticos, a cinomose só é transmitida entre os cães, mas pode contaminar também lobos, furões, guaxinins, etc” – disse. Ela explica ainda que a doença é multissistêmica, ou seja, pode atingir vários sistemas e por isso pode provocar diversos sintomas dependendo do órgão que for afetado, como: tosse, vômito, diarreia, febre, pneumonia, diminuição do apetite, secreções nasais e oculares, conjuntivite, hiperqueratose dos coxins e narinas (os coxins e narinas ficam com aspecto mais grosseiro e ressecado), incoordenação motora, convulsões, andar em círculo, rigidez muscular, mioclonia (contração involuntária e repetida dos músculos), vocalização, cegueira, entre outros.

Grupos de risco e prevenção
Apesar de acometer cães de todas as idades, que não estejam devidamente imunizados, a doença pode progredir mais rapidamente caso o animal tenha alguma outra doença debilitante ou crônica associada, quando filhotes, e perdem os anticorpos maternos, e idosos em que o sistema imunológico está debilitado, informa a veterinária. Segundo ela, o diagnóstico é feito através do histórico do animal, exame clínico, exames complementares como exames hematológicos e bioquímicos, testes rápidos de sorologia que podem ser feitos no próprio consultório e PCR. “A cinomose tem cura, mas trata-se de uma doença muito grave e debilitante com alta taxa de mortalidade (entre 50-90%) e morbidade (entre 25-75%). Até o momento não há um tratamento específico para a cinomose, o tratamento instituído é o tratamento de suporte e de acordo com os sintomas que o animal apresentar” – esclarece. A única forma de prevenção efetiva – destaca Stephany – é a vacinação dos animais com a vacina múltipla (v8 ou v10) realizada em filhotes a partir dos 45 dias de vida, em 3 doses com intervalos de 21 a 30 dias e após isso, uma dose única anualmente. “Vale lembrar que a vacinação só deve ser feita por médico veterinário capacitado e respeitando os prazos entre as doses” – disse. O Instagram dela é @stephanyvet.

VEJA MAIS

VEJA MAIS