Centenária, Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense retoma aulas presenciais após quase 2 anos de pandemia

Criada em 1905, a SMFC foi agraciada com medalha e o título de Patrimônio Cultural Fluminense, sendo ainda de Utilidade Pública Estadual e Utilidade Pública Municipal. É ainda a única banda do Estado do Rio a ter participado de todos os Concursos de Bandas de Músicas Civis

Após quase dois anos críticos da pandemia de Covid-19, a Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense, de Cordeiro, na Região Serrana do Rio, retomou na última semana as aulas presenciais. Para João Gabriel Neves, secretário da SMFC, foi um desafio para a entidade e para todos que fazem cultura “sobreviver” à pandemia, sobretudo por ser a banda de Cordeiro instituição que se apresenta em público. Apesar disso, as aulas ocorreram nesse período de maneira remota, e, segundo ele, o retorno presencial é a esperança de que as perdas em termos de ensaios e elaboração de repertório sejam supridas.

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A Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense é uma instituição cultural sem fins lucrativos e com sede própria, amparada por Estatuto e mantida em sua essência por um grupo de sócios contribuintes. Em sua sede, a SMFC mantém uma escola de música que serve para “alimentar” a banda composta por civis, “que é a verdadeira responsável pela longevidade da centenária Fraternidade”. A Escola de Música inspirou inclusive muitas bandas-irmãs de municípios vizinhos a adotarem a prática de ensino e, consequentemente, ajudar na manutenção das bandas em suas cidades. Nela são ensinados instrumentos de sopro e percussão, gratuitamente.

Centenária, a Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense foi agraciada com a medalha e o título de Patrimônio Cultural Fluminense, através da Lei nº 5.215 de 2008. Além disso, é também de Utilidade Pública Estadual (Lei 7.435 de 1971) e de Utilidade Pública Municipal (Lei 548 de 1974). Possui intensa atividade, mérito de todos os músicos e diretores que por lá passam, sendo a única banda do Estado do Rio de Janeiro a ter participado de todos os Concursos Estaduais de Bandas de Músicas Civis, sempre abrilhantando a Classe Especial desses certames, sendo finalista e vencedora de muitos, inclusive do realizado em Cordeiro, conforme consta na obra “Cordeiro – A realização das utopias” (páginas 182-3), de Alaôr Eduardo Scisínio.

Ainda em plena atividade, o corpo musical da Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense é composto por cerca de 30 músicos, entre crianças, jovens e adultos, além de vários aprendizes. “Em sua centenária trajetória, por sua diretoria, regência e corpo musical passaram muitos competentes e dedicados cidadãos, que, hoje, não mais se encontram em nosso meio. Alguns alçaram novos voos, buscaram novas oportunidades em outros municípios e até países; outros alçaram voos para a eternidade. A todos eles o agradecimento, o respeito e a reverência da banda de hoje, através de seus músicos, aprendizes, professor, maestro e diretores” – destaca João Gabriel.

Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense, em 1909. Fonte: Revista O Malho/ Tadeu Ornellas

Criação da Banda
A data de criação da Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense foi fixada como sendo 21 de abril de 1905, entretanto, o jornal “Gazeta de Cordeiro” (periódico dominical) de 12 de fevereiro de 1905 já registrava, em nota, o convite a “influentes e interessados” em organizar uma “banda musical”. O mesmo jornal publicou, em 19 de fevereiro de 1905, nota que convidava músicos residentes em Cordeiro e aspirantes a músicos a fazerem parte da banda de música e a se matricularem na escola musical que a Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense estaria fundando. Nesse mesmo dia, foi registrado o primeiro encontro de músicos e alunos da Fraternidade Cordeirense, na casa do Sr. Major Manoel Luiz Pinheiro. O periódico registrou ainda, em 30 de abril do mesmo ano, que a Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense realizara, no domingo anterior (23 de abril de 1905), uma apresentação pública.

Direção atual
A Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense é dirigida por um grupo de cidadãos eleito pelo corpo de sócios contribuintes e pelos “sócios de estante” (músicos) a cada dois anos, sempre no aniversário da entidade – 21 de abril – ou em data próxima, conforme reza seu Estatuto. Atualmente ela vem sendo dirigida pela presidente Maria da Gloria Ferreira. O corpo de diretores é composto por músicos, professores, servidores, empresários, estudantes, autônomos, ou seja, cidadãos que, de forma generosa e voluntária, contribuem para a manutenção da mais antiga instituição de Cordeiro. “Instituição esta que sempre enlevou o nome da cidade e que sempre foi elogiada pela municipalidade em todas as gestões” – destaca João Gabriel.

A Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense tem como sede o prédio situado à Avenida Raul Veiga, 243, Centro, prédio este que anteriormente era de propriedade do Cine Madrid Ltda., e que, numa transação por permuta com o antigo prédio de propriedade da Sociedade Musical, situado à Rua Moacyr Laport Leitão, Centro, passou à banda, em 1988. A inauguração da nova sede ocorreu em 21 de abril de 1987, no aniversário da Banda. Ainda hoje mantendo a estrutura do antigo Cine Madrid – auditório, cadeiras, mezanino, sala e máquinas de projeção – a sede passou por algumas adaptações ao longo dos anos, como ampliação do palco e reforma dos banheiros do hall de entrada, construção de prédio em anexo para instalação de salas de estudo para prática instrumental e teórica, três banheiros, terraço multiuso, reforma do hall de entrada e adaptações.

O auditório recebeu, em 1988, quando a banda tinha como maestro o Sr. Elias Barreto Mendonça, a denominação “Sala João José de Macedo Júnior”, em homenagem àquele que fora maestro da Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense de 1926 a 1960. Com a aposentadoria do Maestro João José de Macedo Júnior, assumiu a regência o maestro Adoastro Pires Neves.

Aulas e novos alunos
As aulas de música são gratuitas. Inicialmente o (a) adolescente, jovem ou adulto (a) que desejar tocar na SMFC deve se dirigir presencialmente à sede e se apresentar ao professor Paulo Newton Ennes para solicitar um horário, na terça ou quarta-feira, entre 8 e 17h. Primeiramente a (o) aluna (o) tem aulas de Teoria Musical (às quartas-feiras); depois, passa às aulas de Prática Instrumental (às terças-feiras), para finalmente integrar a Banda de Cordeiro. Cada uma dessas fases depende do comprometimento e aprendizado de cada um. As vagas são limitadas. “É um prazer tocar na banda e fazer parte da história da região! Aguardamos novos alunos!” – convida João Gabriel. Todas as medidas sanitárias de prevenção são devidamente respeitadas nas dependências da Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense.

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