O ator, dramaturgo e diretor teatral Bernardo Dugin, de Nova Friburgo, vai estrear uma peça que escreveu a partir de um ataque homofóbico que sofreu de um padre em uma missa de sétimo dia.
No monólogo “Hétero Sigilo”, Bernardo Dugin reflete sobre heteronormatividade, violência simbólica e o custo psicológico de viver sob pactos de silêncio. Em sua estreia como dramaturgo, o artista revisitou uma experiência pessoal para construir uma reflexão íntima, sensível e contundente sobre os mecanismos sociais que exigem disfarce, performance e apagamento como forma de sobrevivência.
A direção é assinada por João Fonseca, responsável por sucessos como “Cazuza” e “Minha Mãe é uma Peça”. A trilha original e a direção musical são de Federico Puppi. A peça estreia no dia 6 de março, no Teatro Laura Alvim (sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h).
“Hétero Sigilo” surgiu a partir de um ataque homofóbico sofrido por Dugin e seu namorado durante uma missa de sétimo dia, em 2023. O episódio teve repercussão nacional e tornou o padre responsável réu por racismo qualificado, em um processo que discute os limites entre liberdade religiosa, liberdade de expressão e discurso de ódio. O Ministério Público do Rio de Janeiro também solicitou indenização por danos morais coletivos à causa LGBTQIAPN+, reconhecendo o impacto simbólico e social da violência.
A peça expõe como a heteronormatividade ensina a mentir, performar e se aprisionar e aponta caminhos possíveis de coragem e pertencimento. “O espetáculo não é sobre assumir uma orientação sexual. É sobre o que a gente precisa esconder para continuar existindo sem ser punido por isso. A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”, afirma Dugin.



