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Polícia deflagra operação “Falso 9” e prende em Itaperuna acusado de aplicar golpes em jogadores de futebol

Investigação aponta que dinheiro era depositado em contas de moradores de Itaperuna e região para ser escondido

CLINICA VIVAS MEIO

A Polícia Civil deflagrou uma operação para prender, em Itaperuna, um homem acusado de aplicar golpes de estelionato em jogadores do Grêmio e do Internacional. A operação, nomeada de “Falso 9”, foi realizada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, com o apoio das delegacias de Cabo Frio e de Itaperuna.

O objetivo da ação é cumprir um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão contra investigado pela prática dos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade. Segundo a polícia, o homem utilizava perfis falsos em aplicativos de mensagens para se passar pelo técnico português Luís Castro para aplicar golpes contra atletas profissionais de diferentes clubes do Brasil, e até do exterior.

Na casa dele, os policiais apreenderam telefones celulares e outros materiais relacionados com a fraude, e ele foi autuado pelo delegado Jose Paulo Pires, de Itaperuna, por porte de munição de arma de fogo, pois foi encontrada munição de calibre 380 em seu quarto.

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Investigação
As investigações começaram após a Polícia Civil ter sido avisada de que um suspeito havia entrado em contato, pelo WhatsApp, com quatro atletas do elenco profissional do Grêmio, utilizando uma linha telefônica registrada em nome de terceiro e a fotografia do técnico da equipe para se passar por ele.

Segundo a polícia, sob esse disfarce, o golpista instruiu os jogadores a chegarem mais cedo, ao centro de treinamento, no dia seguinte “para bater um papo”, dando início a uma aproximação cuidadosamente construída para parecer legítima.

Com um dos atletas, o falso técnico manteve uma conversa que se estendeu por dias, perguntando sobre sua rotina, sua família e seu desempenho nos treinos, elogiando sua dedicação e pedindo, em determinado momento, que o jogador não comentasse aquele contato direto com os demais companheiros de elenco, numa tentativa de isolar a vítima e evitar que o golpe fosse descoberto por terceiros.

Após dias de conversa, o suspeito fez o pedido financeiro, alegando estar ajudando um grupo social do Rio de Janeiro, por meio da doação de cestas básicas, e perguntou se o jogador “gostaria de ajudar também”. Diante da resposta positiva da vítima, o golpista detalhou o pedido: seriam 300 cestas básicas, a R$ 75,00 cada, totalizando R$ 22.500,00. Ele então encaminhou uma chave Pix aleatória, informando que pertencia a uma suposta responsável pela instituição.

Ainda no mesmo dia, o golpista tentou ampliar o prejuízo: relatou à vítima que outro atleta, supostamente “fora do Brasil” e impossibilitado de responder por causa do fuso horário, também queria contribuir com 600 cestas básicas — o equivalente a R$ 50.000,00 — e pediu que o jogador adiantasse esse valor, com a promessa de ressarcimento posterior.

O golpista chegou a insistir, mencionando ajuda de outros atletas do elenco para pressionar a vítima e reforçar a legitimidade do pedido. A nova transferência não se concretizou porque o valor também excedeu o limite diário de movimentação financeira da vítima.

Após representação do delegado resposável pela investigação, a Justiça quebrou o sigilo bancário e telemático dos envolvidos, o que permitiu à equipe de investigação reconstituir o fluxo do dinheiro e a rede de conexões utilizada nos golpes, e a descobrir que o acusado operava a partir de uma estrutura montada pelo acusado preso em Itaperuna, e que os valores recebidos em decorrência dos crimes eram depositados em contas de moradores da região até que pudessem chegar à esfera do investigado.

De acordo com a troca de informações de inteligência com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, o suspeito possui passagens por clubes de futebol, o que corrobora a sua expertise no meio, além de já ter sido preso em flagrante, em 2024, por crime semelhante.

A investigação também identificou que a linha telefônica utilizada nos golpes manteve contato com jogadores vinculados a outros clubes brasileiros de grande expressão, a um atleta que atua em equipe do futebol europeu e a um artista de grande popularidade no cenário musical nacional, o que indica que o número de vítimas pode ser ainda maior.

A Polícia Civil orienta que qualquer pedido de transferência financeira recebido por aplicativos de mensagens, ainda que partindo de contato aparentemente conhecido, seja sempre confirmado por outro meio de comunicação antes da efetivação de qualquer pagamento, especialmente quando envolver pedidos de sigilo perante terceiros ou justificativas urgentes e apelos de caráter solidário.

O nome da faz alusão ao termo futebolístico “falso 9” — jogador que atua disfarçado, fora da posição que aparenta ocupar em campo —, em referência direta à falsa identidade utilizada pelo golpista para se passar por técnico de futebol e conquistar a confiança das vítimas.

 

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